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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

BETO SALAME, CAMPEÃO DE GASTOS ENTRE OS DEPUTADOS FEDERAIS ELEITOS

Um ilustre desconhecido que conquistou uma das cobiçadas 17 cadeiras de deputado federal pelo Estado do Pará. Este é o perfil inicial de Roberto Salame Filho, que precisou de mais do que o sobrenome do irmão João Salame Neto (ex-deputado e atual prefeito de Marabá) para chegar à Câmara dos Deputados nos próximos quatro anos. Ele precisou de R$ 1.342.770,20 (hum milhão, trezentos e quarenta e dois mil, setecentos e setenta Reais e vinte centavos) para eleger-se com surpreendentes 93.524 votos.

Beto Salame declarou bens no valor de apenas R$ 24.431,00 à justiça eleitoral, mas sua campanha foi de colosso paraense, com direito a alguns voos de helicópteros entre cidades desta região durante a acirrada disputa eleitoral que o fez figurar acima de nomes respeitados de deputados federais na região, como Giovanni Queiroz e Wandenkolk Gonçalves, que viram seus mandatos ruírem, enquanto Salame era galgado ao posto de um dos dois representantes federais do sudeste paraense, ao lado da também desconhecida Júlia Marinho, que conquistou a vaga com a mesma estratégia: usando o nome e prestígio do marido, ex-deputado federal Zequinha Marinho, agora eleito vice-governador do Pará. Só que Júlia declarou ter gastos míseros R$ 142.203,33 na campanha. De fato uma baita economia que representa pouco mais que 10% do que foi gasto por Salame (o deputado).
A eleição de Beto Salame surpreendeu até mesmo políticos experientes de Marabá, os quais apostavam entre si antes da eleição de 3 de outubro passado sobre quantos votos o irmão do prefeito levaria. E nenhum dos otimistas chegava a arriscar mais de 30 mil votos. E todos eles tiveram suas previsões derrubadas antes da meia noite do dia da votação e apuração naquele outubro. Eles tiveram de render-se à capacidade de João Salame em captar votos para o irmão, principalmente fora de Marabá, onde ele conseguiu a simpatia de cerca de 60 mil eleitores.

Com isso, Beto Salame, como é mais conhecido o advogado e procurador do município de Marabá, foi o décimo candidato mais bem votado ao cargo de federal no Estado. Ele abocanhou nada menos que 2,49% de todos os votos válidos do Pará, um número bastante surpreendente. Há um grupo reduzido de pessoas que tenta computar sua vitória nas urnas ao apoio que Beto recebeu do ex-deputado federal Asdrúbal Bentes, que não pode se candidatar novamente porque estava inelegível por ter sido condenado na Justiça numa emblemática troca de votos por cirurgias de laqueaduras em algumas mulheres na eleição de 2008, quando Bentes concorreu à Prefeitura de Marabá.

Mas a capacidade de transferência de votos de Asdrúbal não foi algo fora do comum para que seja dada como fator preponderante para a ida de Beto Salame para o Planalto Central.

Em toda campanha eleitoral, fala-se que os candidatos gastam muito mais do que os valores que realmente declaram à Justiça Eleitoral, com financiamento oriundo geralmente por quem tem interesse empresarial na eleição deste ou daquele candidato. Enquanto Beto Salame declarou ter arrecadado e gasto pouco mais de R$ 1,3 milhão, especulações em Marabá dão conta de que a campanha teria custado algo em torno de R$ 8 milhões, de fato, o que nunca foi informado pelo candidato nem por seu irmão João Salame.

O leitor curioso que desejar abrir o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para analisar quem são os doadores da campanha de Beto Salame verá que as doações estão bastante pulverizadas. O principal doador é foi o Comitê Financeiro da campanha através da empresa Construtora Aterpa S/A, com o montante de R$ 280.000,00. Depois, aparecem DAG Construtora, com dadivosos R$ 200.000,00; Bugati Brasil Válvulas, com R$ 100.000,00; Guetner & Martins Ltda, com R$ 80.000,00; Siderúrgica Norte Brasil (Sinobras) com R$ 60.000,00; VCK Engenharia, com R$ 50.000,00; e o próprio irmão e prefeito João Salame, que tirou do bolso R$ 30.000,00 para investir na expansão do latifúndio político da família Salame.

A prestação de contas de Beto Salame foi aprovada sem ressalvas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará.

A influência de Salame como prefeito foi, sim, determinante para arrecadar essa dinheirama toda, inclusive de empresas de renome fora de Marabá, onde Beto é menos conhecido ainda.

Por falar nisso, Salame, o prefeito, já havia sido deputado estadual por dois mandatos, depois tentou eleger o irmão vereador em 2012, junto com ele, e quase sua esposa Bia Cardoso não seria candidata a deputada estadual ou mesmo a vice-governadora ao lado de Helder Barbalho. Vamos aguardar o que reserva 2016 para quem carrega Salame no nome. (Fonte: Zé Dudu)

Ranking dos gastos dos 17 deputados federais eleitos

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